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Posted: 3 Jun, 2015 @ 7:13am
Updated: 3 Jun, 2015 @ 7:14am

Em meados de 2013, estava eu circulando pelos sites de games, quando uma notícia explodiu minha cabeça: A Behold Studios, estúdio brasileiro responsável pelo incrível Knights of Pen and Paper, estava angariando recursos no Kickstarter para o desenvolvimento de um jogo chamado Chroma Squad. O vídeo promocional deixa claro a proposta do jogo: administrar um programa Sentai, aqueles seriados japoneses de grupos de super-heróis fantasiados que ficaram populares aqui no Ocidente, principalmente por causa dos Power Rangers. Na mesma hora eu pensei: meu corpo precisa desse jogo. Mas como lados de dois imãs de mesma polaridade que se repelem, cada dia que passava, o jogo se afastava de mim. Antes previsto para o final de 2013, o jogo foi adiado para o final de 2014, sendo somente lançado em abril de 2015. Parte do atraso se deu por um bom motivo, pois com o lançamento do beta para quem comprou o jogo na pré-venda ou para quem o financiou pelo Kickstarter, os desenvolvedores puderam receber um feedback dos jogadores e assim aprimorarem o jogo. Por outro lado, o estúdio teve que enfrentar uma situação delicada com a Saban, detentora dos direitos de distribuição da marca Power Rangers no Ocidente, que ameaçava impedir o lançamento de Chroma Squad, em virtude de direitos autorais. Por fim, ambas as empresas chegaram a um acordo e o jogo pode ser lançado. \o/

A jogabilidade se divide em três etapas:

1) Gerenciamento do estúdio: Nesse ponto, cabe a você a administração do programa que consiste em várias ações como contratação dos atores, compra de melhorias para o estúdio, marketing e aquisição de uniformes e armas. Neste último quesito, existem duas opções: comprar os itens na lojinha ou fabricá-los utilizando diversos materiais como caixa de papelão e massinhas de modelar que são dropados pelos inimigos durante os episódios. Essa improvisação nível cospobre,nos lembra muito os seriados sentai/tokusatsu em que tudo era ou parecia ser de baixo orçamento. Outras situações que emulam esse espírito mulambo são as caracterizações de muitos vilões, como o Boxing Box, ou a conversa dos personagens durante a história. Com o passar do tempo, o estúdio vai melhorando, tornando as coisas mais profissionais. O jogo possui dois medidores: Dinheiro e Quantidade de Fãs que são diretamente influenciados pelas ações durante a gravação dos episódios e pela quantidade de audiência conquistada, bem como pelas políticas de marketingadotadas.

2) Gravação dos Episódios: As fases são organizadas em temporadas que por sua vez são divididas em episódios (Ah, antes que você pergunte, tem episódios gravados na pedreira). Durante as fases, deve-se lutar com uma onda de inimigos e um chefão, seguindo a orientação do diretor para ajudar a aumentar a audiência. O combate possui o estilo RPG de estratégia em turnos como visto em X-com e Final Fantasy Tatics. Uma novidade trazida por esse jogo chama-secooperação em que permite coordenar a movimentação e os golpes dos rangers. Caso todos os cincos ataquem ao mesmo tempo, uma animação surge na tela e nos lembra aqueles ataques finalizadores executados nos seriados. Cada ranger possui habilidades diferentes e, à medida que as temporadas vão passando, há o desbloqueio de novas.
3) Luta de robôs: Após a derrota do monstro-chefe,um bom e velho clichê dos sentai ocorre: o monstro aumenta de tamanho e o Mecha é invocado. A jogabilidade muda novamente, passando a ser de RPG em turnos em que a cada golpe desferido pelo robô aumenta o multiplicador de dano, mas diminui a chance de acerto e, se errar um golpe, o turno passa para o monstro e incube ao jogador a defesa no momento certo. Apesar de simples e rolar um fator sorte, planejar bem os golpes torna-se importante, combinando golpes simples com os especiais. Se porventura a vida do mecha chegar a zero, o jogador recebe uma segunda chance chamada “Poder de Fã”, em que ganha-se uma nova vida baseada na quantidade de telespectadores.
A história do jogo é simples e divertida, com algumas reviravoltas e três finais diferentes, pois, em certo ponto, dependendo da escolha tomada, um determinado personagem é desbloqueado e a narrativa segue um rumo diferente. Os gráficos são belos e pixelados e a trilha sonora impecável, apesar de um pouco repetitiva.
Caracterizar o jogo como somente “um jogo inspirado na série Power Ranger”, tradução livre do subtítulo exigido pela Saban, é subestimar a carta de amor que esse jogo escreve para as séries tokusatsu/sentai. Além disso, notamos influências de outros elementos da cultura nerd e pop que rendem grandes risadas, momentos WTF e explosões de nostalgia. Jogo recomendadíssimo para quem gosta das coisas boas da vida. Parabéns a Behold Studios por esse projeto maravilhoso.
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